sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Memória... Rio de Janeiro


Nos dias 07/08 e 08/08 desse ano, houve o IV Fórum Internacional de Cidade Criativa no Rio de Janeiro.
O tema em debate desse ano foi "Memória e Futuro da Cidade".

Mas o que seria essa memória? O que ela contribui para a cidade?

A cada geração, uma nova tendência surge na moda, na música, na tecnologia, na arte e claro, na nossa moradia.
Penico do séc, XIX
Conforme os anos se passam, as necessidades do homem se modificam; o que existia é deixado para trás e dá lugar ao que tem de novo, inovador e moderno. Por exemplo: há muito tempo o banheiro era um cômodo da casa que não existia. Sua aparição foi no final do seculo XIX e mesmo assim como artigo de luxo. As pessoas, antigamente, simplesmente não tomavam banho, e quando tomavam, eram em banheiras de tina de madeira. As necessidades fisiológicas eram feitas em um penico ou fossa na área externa da casa, sendo essas despejadas na rua ou no rio/baia. Hoje possuímos esse cômodo em todas as casas (ou deveríamos possuir) com louça sanitária, lavatório e chuveiro com água e esgoto canalizados ligado por uma rede urbana. 

O progresso é uma tendência natural, mas crescer não significar apagar o passado.
É claro que precisamos de avenidas com boa pavimentação e casas confortáveis. Mas o homem precisa do registro do que existiu, saber que possuímos uma história e um passado, principalmente para a nova geração.
Esse registro se dá pelas construções antigas, podendo essas serem casas, palácios, edifícios, escolas, hospitais, estádios de futebol, teatros, ruas e avenidas, parques dentre outros elementos que compõe a cidade. Cria-se assim uma identidade, uma aparência própria e única.

Condomínio da Barra da Tijuca
Fazer melhorias e promover melhor qualidade de vida é importante, mas preservar o que é antigo ajuda a manter nossa memória viva. Uma forma preservação é poder reaproveitar o que tem para um novo uso, realizando as devidas adaptações e, se necessário, de melhorias para as instalações ou estruturas. Assim, além de preservar, também mesclamos a paisagem da cidade vendo o novo e o antigo. Conviver com as diferenças faz com que possamos abrir nossas mentes, evitando que nos fechemos em um meio ou uma tendência. Para um jovem, principalmente, essa paisagem influência no seu psicológico e na sua formação como adulto. Como exemplo, temos em muito casos, em Brasília, onde os jovens não conheceram um passado e vivenciaram uma "monotonia entediante" como foi registrado nos anos 80. O mesmo acontece em menor grau no próprio Rio de Janeiro no bairro da Barra da Tijuca onde os moradores se fecham em seu próprio condomínios e educam seus filhos a conviver somente com essa realidade.
Imagem de Brasilia
Bonde de Santa Teresa desativado em 2012
Além de promover a nossa memória viva, a manutenção do antigo também auxilia no turismo. As pessoas quando vão conhecer uma outra cidade procuram ver aquilo que é atrativo e marcante para o local,
podendo esses pontos serem construções antigas, atuais ou naturais.
Um bom exemplo disso são os bondes do bairro de Santa Teresa. O passeio de bonde incentivava o turismo, movimentando o comércio, bares e restaurantes, visto que era a única região da cidade onde existia esse transporte urbano com um ambiente bucólico, revendo assim antigas casas do  meados de século XIX ao tempo atual. Hoje, ir de ônibus não é a mesma coisa.

Foto da av.central com o Morro do Castelo
Infelizmente não damos importância para o que é de nosso patrimônio. O brasileiro já possui uma falta de cultura em preservar essa memória local, e o poder público, ao invés de incentivar a preservação, só piora não promovendo nenhum programa de auxílio de custos ou de intervenção para a manutenção. Em paralelo, possuímos um mercado imobiliário que devasta muitos desses monumentos colocando no lugar prédios de 10 a 20 andares com a mesma aparência pasteurizada.
Desmonte do Morro do Castelo
Um exemplo de destruição foi o desmonte do Morro do Castelo. Usando a desculpa onde o desmonte traria melhorias climáticas e viárias em 1921, aquele morro era o "berço" do Rio de Janeiro. Nele foram construídas a primeira igreja, a primeira cadeia e a primeira câmara da cidade e hoje se perguntarem: Onde se originou a cidade? com certeza dizer que "no centro do Rio" não basta, pois é um bairro mesclado de construções desde o século XVI aos dias atuais.

Porém um bom exemplo de preservação é a do Corredor Cultural. Nele, os antigos sobrados do Rio foram preservados mantendo somente a fachada e o volume das casas, mas internamente elas poderiam ser modificadas dando novo uso como lojas, escritórios, consultórios, restaurantes, cursos e demais serviços.

Não seria interessante promover uma harmonia entre o que é antigo e o que é novo?
Não seria bom poder olhar pra um prédio todo espelhado de vidro ao lado de uma bandeirantista colonial?
Casa Colonial bandeirantista ao lado do prédio comercial em São Paulo
Agora vemos muitas mudanças acontecendo devido aos eventos que tem surgido na cidade. A copa do mundo e as olimpíadas de 2016 trouxeram mudanças em nossos estádios, exigiram novas construções de moradia para os atletas, hospedagens para turistas e exigência para melhorias no transporte. Além desses eventos, existem outros programas de melhorias determinados pelo próprio governo para atender novas necessidades, como está acontecendo com o projeto do Porto Maravilha na zona portuária. Mas a pergunta que fica é: a forma como está sendo feito é como realmente gostaríamos que fosse?
Será que muito do que está sendo feito lá não deveria ser aplicado em outras regiões da cidade atendendo as suas necessidades?
Esse é o questionamento que deixo. Como queremos a cidade nos próximo anos?
Imagem em 3D do projeto do Porto Maravilha

Fontes
http://viagensaorioantigo.blogspot.com.br/2009/05/morro-do-castelo.html acesso 29/08/2014
Imagens
http://atriumfafe.blogspot.com.br/p/espaco-memoria.html  acesso 29/08/2014
http://www.imovelrj.com/revitalizacao-do-porto-do-rio-porto-maravilha/   acesso 29/08/2014
http://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/avenida-central.html   acesso 29/08/2014
Revista AU - Arquitetura e Urbanismo
http://www.nossarquitetura.blogspot.com.br/2013/02/104-anos-parte-2.html   acesso 29/08/2014
http://www.nossarquitetura.blogspot.com.br/2012/10/arquitetura-musica-faroeste-cabloco.html   acesso 29/08/2014
http://www.nossarquitetura.blogspot.com.br/search/label/Santa%20Teresa  acesso 29/08/2014

domingo, 20 de julho de 2014

"O Maraca é Nosso..."

Fig1: Logomarca da Copa do Mundo
de 2014 no Brasil.
Este ano, o Brasil foi sede de um dos maiores eventos esportivos do mundo: a Copa do Mundo.
É evidente que o país tenha estado mais exposto no exterior neste último mês, recebendo turistas de várias nacionalidades para poder prestigiar os jogos e poder conhecer um pouco mais sobre nossas cidades, cultura, culinária, dentre outros entretenimentos.
A cidade do Rio de Janeiro possui o estádio mais famoso do Brasil e um verdadeiro marco da Cidade Maravilhosa, o estádio Jornalista Mário Filho, vulgarmente conhecido como o Maracanã.


Mas será que neste ano tivemos o nosso Maracanã?
Fig2: Estádio Jornalista Mauro Filho - Estádio do Maracanã -
Foto de 1950
De origem, o Maracanã foi construído para sediar a Copa de 1950, assim como aconteceu para esta edição no Brasil, com a construção de outros estádios. No entanto, sua história começa bem antes disso, em 1936, quando o governo também estava com o projeto de um campus da Universidade do Brasil. Nele se previa a construção de um estádio olímpico e com ele, uma Escola de Educação Física. Seria o Estádio Nacional.
Foi aberto um concurso para seu projeto. Nele estavam os arquitetos Oscar Niemeyer, Antônio Carneiro Dias em parceria com Pedro Paulo Bernardes Bastos, e o grupo Renato Mesquita dos Santos, Thomaz Estrella, Jorge Ferreira e Renato Soeiro.
Fig3: Projeto de Oscar Niemeyer para o Maracanã.
Devido a muitos problemas de solução em projeto, às indefinições e problemas políticos e governamentais (incluindo-se referentes à Segunda Guerra mundial e pós-guerra), não houve vencedor.  Somente em 1947 foi liberada a sua construção, sendo o projeto de Bastos e Carneiro escolhido com devidos ajustes e em parceria com Rafael Galvão e Orlando Azevedo.
As obras se iniciaram em 1948 e o estádio sediou a Copa, ainda inacabado, pois só foi concluído em 1965, com modificações inclusive em seu revestimento externo, que receber pastilhas azuis.
Fig4: Na foto, os arquitetos Antonio D. Carneiro e Miguel Feldman diante
da Maquete do Maracanã em 1949 - Coleção Branca Feldman
O Maracanã tem seu formato oval, medindo 317 metros em seu eixo maior e 279 metros no menor. Mede 32 metros de altura, o que corresponde a um prédio de seis andares, e a distância entre o espectador mais distante o centro do campo era de 126 metros. 
Sua capacidade original era de 200mil espectadores, distribuídos por arquibancadas de concreto, cadeiras de ferro, tribunas, camarotes e geral, com dois acessos principais com gigantescas rampas nas extremidades opostas do eixo menor do estádio.

O público era dividido em três níveis: a geral, no nível do gramado, acomodando até 30
Fig5: Construção do Maracanã.
mil espectadores de pé no espaço entre o primeiro degrau e o guarda-corpo que circunda o campo;  
o segundo lance, com 30 mil cadeiras e 300 camarotes; o terceiro e mais elevado, oferecia 90 mil lugares sentados nas arquibancadas em balanço sobre as cadeiras, com distância máxima do campo de 150m, tribuna de honra, tribuna da Imprensa e a tribuna desportiva, além das cabines de rádio. Uma marquise cobria parcialmente as arquibancadas formando um anel com refletores a vapor de mercúrio instalado acima, ao longo das duas laterais do campo. Era o estádio  “maior do mundo”. 

Fig6: Corte da arquibancada do Projeto do Maracanã - Acervo Iphan
Fig7: Corte da arquibancada do Projeto do Maracanã - Acervo Iphan
Previa-se também, ao longo do estádio, ginásio poliesportivo, piscinas e pista de atletismo. Mas esses não foram construídos a tempo da copa. Somente depois de 1952 começou sua construção e em 1954 inaugurou-se o ginásio  Gilberto Cardoso (o Maracanãzinho), O estádio de atletismo de Célio Barros, em 1974 e o parque aquático Julio de Lamare, em 1978.


Fig8: Selo Comemorativo da
Inauguração do Maracanã em 1950.
No entanto, uma construção como essa, considerada como patrimônio e com uma história interessante, já sofreu algumas modificações ao longo do tempo, devido às novas exigências para os campeonatos de futebol, algumas delas responsáveis por significativa descaracterização do estádio.
No ano de 2000 houve uma reforma para o I Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, quando foram transformadas as arquibancadas. Passou a ser dividida por setores e assentos individuais e os camarotes foram instalados nos lances superiores.  Reduziu sua capacidade em público, mas adotou-se mais segurança e conforto. 

Fig9: Panorama do Maracanã em 2010, antes da nova reformar.
Agora, em 2014, temos um novo Maracanã. Um Maracanã que atendeu a todos os padrões FIFA.
Mas será que foi realmente proveitosa essa reforma? Críticos alegam que o estádio não é mais o mesmo...
Fora os gastos altos realizados em sua reforma, o brilho em assistir uma partida de futebol como era antes não existiria mais com as novas instalações, muita delas irreversíveis, além de pertencer a um grupo privado que cobra preços extorsivos nos ingressos. 
Além disso, o haverá mais 200 mil espectadores, nem as gerais, nem os lugares com torcidas ancestralmente definidos.

Fig10: Arquibancada lotada no estádio em 1963 no jogo entre
Flamengo e Fluminense.
Fig11: O jogo da final da Copa de 1950 entre Brasil e Uruguai

Fig12: Pelé e o jogo para a classificação do Brasil em 1970

Nesses 64 anos de história, o Maracanã foi palco de muitos acontecimentos. Houve partidas históricas entre os times de futebol mais populares de nossa cidade e inúmeros Campeonatos Brasileiro de Futebol.
Acolheu também shows de artistas nacionais e internacionais como Roberto Carlos, Madonna, Paul McCartney, Frank Sinatra, Sandy e Junior dentre outros, provas de vestibular, os jogos Pan-Americano 2007 e agora a Copa do Mundo de 2014 e futuramente as Olimpíadas de 2016...

"Mas certamente uma nova torcida, pasteurizada, na nova Arena Maracanã nunca mais vai cantar da mesma forma" - palavras do Professor William Bittar - professor da faculdade de arquitetura e urbanismo da UFRJ e Unisuam.
Fig13: Novo estádio do Maracanã 2014.
Domingo, eu vou pro maracanã
E torcer pro time que sou fã
Vou levar foguetes e bandeira
Não vai ser de brincadeira
Ele vai ser campeão
Não quero cadeira numerada
Vou ficar na arquibancada
Prá sentir mais emoção
Neguinho da Beija-Flor






Fontes:
Sites:
http://www.clerioborges.com.br/maracana.html 07/06/2014
http://pt.wikipedia.org/wiki/Est%C3%A1dio_do_Maracan%C3%A3  07/06/2014
http://www.ufrgs.br/propar/publicacoes/ARQtextos/pdfs_revista_17/02_CC_NIEMEYER%20E%20O%20MARACANA~.pdf 18/07/2014
http://www.debatesculturais.com.br/o-maraca-e-nosso-mas-sera-que-ainda-existe-o-maraca/ 18/07/2014
Imagens:
Fig1 e 2: Imagens Google
Fig3: http://vejario.abril.com.br/blog/historias-do-futebol-carioca/maracana/o-maracana-de-niemeyer 18/07/2014
Fig4 ao 7: http://www.ufrgs.br/propar/publicacoes/ARQtextos/pdfs_revista_17/02_CC_NIEMEYER%20E%20O%20MARACANA~.pdf 18/07/2014
Fig 8, 9 e 13: http://pt.wikipedia.org/wiki/Est%C3%A1dio_do_Maracan%C3%A3  07/06/2014
Fig 10 ao 12: http://acervo.oglobo.globo.com/fotogalerias/dez-jogos-memoraveis-no-maracana-9591634 20/07/2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Neoclássico - Grandjean de Montigny

Pintura auto-retrato
O primeiro arquiteto que efetivamente cursou uma Escola de Belas Artes a pisar em solo brasileiro foi o francês Grandjean de Montigny, tornando-se uma das principais referências para a arquitetura brasileira.

Com a vinda da família real em 1808, Dom João, já coroado rei em 1816, implementou diversas medidas para tentar modernizar a antiga cidade colonial, transformada em capital do Reino Unido.  Entre elas, através da atuação do Conde da Barca, recrutou um grupo de artistas franceses, dissidentes políticos que recebeu equivocadamente o nome de Missão Francesa. Afinal, todos os integrantes foram regiamente remunerados, sem qualquer atitude de abnegação para ensinar gratuitamente aos colonos nacionais.... Entre seus componentes estavam Debret, Taunay e o arquiteto Grandjean de Montigny.

Antiga Praça do Comércio atual Casa França-Brasil
No Brasil ainda predominava o repertório colonial, com poucas incursões por algum nova tipologia europeia. Montigny tornou-se um dos principais responsáveis pela divulgação da arquitetura neoclássica, tratada de uma forma mais erudita, projetando e  construindo sua primeira obra de importância, a Praça do Comércio, transformada na Casa França-Brasil. (ver post http://www.nossarquitetura.blogspot.com.br/2011/10/neoclassico-casa-franca-brasil.html).  Este também foi seu primeiro desafio, devido à dificuldade e complexidade de construção, necessitando de adaptações com a mão-de-obra local e materiais. Outros projetos realizados por ele foram a Academia Imperial de Belas Artes, o Palacete do Visconde do Rio Comprido, sua própria residência, o Solar Grandjean de Montigny , dentre outros que nunca saíram do papel como a Biblioteca Imperial e o Senado Imperial.
Montigny também foi professor da Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde organizou o curso de arquitetura, e formou diversos alunos, futuramente renomados com construções espalhadas pela cidade com o mesmo repertório.

Foto antiga do pórtico da antiga Academia
Imperial de Belas Artes. Hoje o edifício foi
demolido e seu pórtico se encontra dentro
do Jardim Bothanico. 

Como projetista, Grandjean era criticado devido as suas construções acabarem trazendo problemas de luminosidade, estabilidade e setorização. Mas era considerado um ótimo desenhista e projetista de fachadas, embelezando assim a cidade. No entanto, era frequente a prevalência das orientações da Escola Politécnica sobre o ensino das Belas Artes, valorizando a funcionalidade e estabilidade dos projetos deixando secundária  a composição estilística.

Devido ao atraso na inauguração da Academia, que só foi inaugurada em 1826, o grupo francês se desarticulou. Alguns voltaram para a terra natal, o líder do grupo faleceu e outros se estabeleceram de forma autônoma no Império.





Grandjean de Montigny aparentemente se identificou com a terra e aqui permaneceu até sua morte, em 1850, habitando um solar avarandado que está localizado nos terrenos da PUC-RJ, demonstrando sua capacidade de síntese entre uma arquitetura tropical e detalhes do neoclassicismo internacional.

Antiga residência localizada nos terrenos da PUC-RJ. 


Fontes:
MENDES, Chico; VERÍSSIMO, Chico; BITTAR, William. Arquitetura no Brasil de Dom João VI e Deodoro. Rio de Janeiro, Rj: Imperial Novo Milênio, 2010.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Arquitetura + Música = Minha Alma (A paz que não quero)


A música composta por Marcelo Yuka, da banda O Rappa, traz uma forte crítica social, abordando a ilusão e o medo da sociedade perante a violência e acontecimentos que nem aconteceram. A letra da música ainda ressalta o comodismo e a indiferença social.

Mas o que essa música tem a ver com a arquitetura? Destaca-se em uma frase:

“As grades do condomínio são pra trazer proteção, mas também trazem a dúvida se é você que está nessa prisão”
 Fig1. Grades de entrada de um condomínio no Recreio dos Bandeirantes. 
Hoje, as grandes construtoras buscam construir condomínios com amplas áreas de lazer e promessa de segurança. Principalmente em uma cidade grande, movimentada, com forte crescimento desordenado e favelização como o Rio de Janeiro.
Geralmente, os moradores de condomínios são da classe média e alta, o mesmo público que busca o status social, o bem estar e a tal segurança da propaganda.
Fig2. Condomínio atual da Barra da Tijuca. 
O que poucas pessoas sabem é que o contexto urbano ou edificado causa influências indiretas em nosso comportamento. Fechar-se em “pequenas cidadelas”, como é o caso dos condomínios fechados, é promover o isolamento das pessoas a um determinado local, limitando-as de circular pela cidade e de ver qual é a verdadeira realidade.
Esse modelo de moradia foi estabelecido pelos promotores imobiliário na época do Plano Piloto da Baixada de Jacarepaguá, nos anos 70, elaborado pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa. Esse seria, mais tarde, um novo modelo de “como viver” em várias regiões do Rio de Janeiro - não necessariamente nas regiões ainda não urbanizadas, mas nas regiões das periferias.
A tal segurança já era questionada nesta época, quando havia um grande crescimento desordenado da cidade graças ao milagre econômico. E as mesmas imobiliárias vendiam junto um novo conceito: o de “morar onde se gostaria de passar as férias”.


Fig3 e 4. Antigas propagandas de venda de apartamentos da Barra da Tijuca
Então, quem será que vive numa prisão?
Ou quer ficar “na poltrona no dia de domingo”?
A letra da música faz pensarmos se o fato de viver num local assim é realmente viver em segurança. Isolar as pessoas cada vez mais da cidade é promover aos poucos que elas não se desloquem para outros pontos, fazendo-as até perde a noção da realidade e se baseando em fatos que chegam em casa pelos canais de telecomunicação. 
Como será que queremos viver? Como queremos as nossas cidades? Como queremos a nossa sociedade?
Seguem letra e música. Tirem suas conclusões: será que essa arquitetura não interfere na vida social?

A minha alma tá armada
E apontada para a cara
Do sossego
Pois paz sem voz
Paz sem voz
Não é paz é medo

Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero
Conservar
Para tentar ser feliz (x4)

As grades do condomínio
São para trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que está nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo
Mas não me deixe sentar
Na poltrona no dia de domingo, domingo
Procurando novas drogas
De aluguel nesse vídeo
Coagido é pela paz
Que eu não quero
Seguir admitindo
É pela paz que eu não quero, seguir
É pela paz que eu não quero, seguir
É pela paz que eu não quero, seguir
Admitindo
Video-Clip da música Minha Alma (A paz que eu não quero)
Fontes: 

LEITÃO, Gerônimo. A construção do Eldorado urbano - o plano piloto da Barra da Tijuca e baixada de Jacarepaguá - 1970 / 1988. Niteroi, Rj: EDDUFF,1999
FREITAS, Gustavo. Minha Alma (A paz que eu não quero) - O Rappa, Campinas, 27/05/2010 Disponivel em: thttp://musicasbrasileiras.wordpress.com/2010/05/27/minha-alma-a-paz-que-eu-nao-quero-o-rappa/ Acesso em 25/08/2013
VAGALUME,  Minha Alma (A paz que eu não quero),Disponivel em: http://www.vagalume.com.br/o-rappa/minha-alma-a-paz-que-eu-nao-quero.html#ixzz2d8chofA2 Acesso 25/08/2013

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Instituto de Educação do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro, no início do séc. XX até os anos 30, era, segundo relatos, uma cidade fechada em um contexto urbano com pouca ventilação e grande proliferação de doenças como a tuberculose. Em paralelo, manifestações e intelectuais da época aderiram a movimentos nacionalistas e de valorização da pátria.
Fig1. - Fachada da entrada, onde fica de frente para a Rua Mariz e Barros
Nessa época, o arranjo espacial das instalações destinadas à educação ainda não era um assunto muito trabalhado. Mas, a partir da década de 20, novas formas de educação e vertentes vindas do exterior começaram a aparecer na cidade maravilhosa, juntamente com novos conceitos sobre como criar um ambiente melhor para a educação. Um deles, de grande importância, é o Instituto de Educação Superior do Rio de Janeiro - ISERJ.
O Instituto de Educação inicialmente seria uma escola normal, mas acabou se tornando uma escola para formação de professoras. Seu espaço físico deveria atender aos novos conceitos da época, como a higienização e a “onda” nacionalista.
Fig.2 - Patio interno com um Chafariz, fazendo alusão a cidades coloniais.
Fig.3 - Mostrando a telhas desenhadas
com corujas - simbolo da pedagogia -
e colunas lembrando a arquitetura rural
colonial. 
Quando estamos diante da Rua Mariz e Barros, no Maracanã, vendo aqueles ornamentos na fachada, a platibanda curvilínea, as janelas com as vergas à mostra e os elementos vazados lembrando o rococó e o barroco das antigas igrejas do período colonial, estamos diante da nova arquitetura com as mais “rigorosas tradições brasileiras”, o neocolonial. Quando entramos, encontramos um centro médico e odontológico, o gymminasio e a piscina semiolímpica, um pátio interno como área de convívio, conforto e de formalidades, laboratórios de ciência com os melhores equipamentos da época, sala de música, um teatro/auditório,  sala de confecção para costura dos uniformes, biblioteca com cadeira própria para as alunas lerem, um museu, um bosque, uma creche (para educação infantil), um refeitório/lanchonete e 106 salas de aula. Além desse programa arquitetônico, ao longo de suas instalações vemos fortemente a influência colonial, o que dá ar a um sentimento de amor a pátria.


O instituto de Educação do Rio de Janeiro é um dos melhores exemplares de arquitetura Neocolonial e de projeto arquitetônico escolar ainda preservado, com só algumas alterações realizada ao longo dos anos. Hoje, lá se encontra uma FAETEC. Não é mais um colégio que forma professoras, mas ainda possui o ensino completo mais a escola técnica com o foco na pedagogia. 


Fig.4 - Antiga foto aérea mostrando o colégio na época de sua inauguração. 

Fonte:
- BOLETIM DE EDUCAÇÃO PÚBLICA. Publicação trimestral da diretoria geral de instrução Pública do Distrito Federal. Rio de Janeiro, 1930.
- Informações extraídas no próprio ISERJ.

Imagens:
- FIG.1 - http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2011/11/saiba-mais-sobre-historia-da-formacao-de-professores-no-brasil.html  23/07/2013
- FIG.2 ao 4 - Todas cedidas no centro de memória do ISERJ.