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sábado, 6 de outubro de 2012

São João Del Rei

Para finalizar a nossa série de post sobre Tiradentes, vamos falar de sua irmã rica, a cidade vizinha de São João Del Rei.
Imagem mostrando a variação arquitetônica do local
Foto: Lídia Quièto

A cidade se mostra bem diferente de sua vizinha, principalmente porque Tiradentes tinha pouco ouro, enquanto São João Del Rei teve sempre mais recursos e, com isso, um crescimento urbano maior. Existem lá partidos arquitetônicos do período colonial ao contemporâneo. Há residências ecléticas, coloniais e neoclássicas convivendo com casas modernas, Art Déco e contemporâneas. Nas ruas, vemos que houve modernização como pavimentação e muros e cercas protegendo as casas. Encontramos jardins planejados, ônibus e carros passando e igrejas rococós e barrocas junto com os passos espalhadas pela cidade. No contexto urbano, o traçado da cidade se formou pelo mesmo princípio de Tiradentes, aproveitando a topografia local usando curvas de nível em tabuleiro. 

Mapa da Comarca do Rio das Mortes em 1780 
Extraído
Wikipedia

Assim como Tiradentes e outras cidades do mesmo período, São João Del Rei se formou devido ao ouro de lavagem. Ela originou-se no Arraial Novo do Rio das Morte e em 1713 recebeu seu nome atual em homenagem a Dom João V, rei de Portugal. Marcada por acontecimentos e histórias como a inconfidência mineira, em 1827 ela ganha o status de cidade, não tendo mais em sua configuração urbana uma feição colonial, e sim possuindo cerca de 1.600 casas distribuídas em 24 ruas e 10 praças. Ainda no século XIX, já contava com casa bancária, hospital, biblioteca, teatro e cemitério público construído fora do núcleo urbano, além de serviços de correio e iluminação pública a querosene. Em 1881, a cidade recebeu a primeira seção da Estrada de Ferro Oeste-Minas, que liga as cidades da região a outros importantes ramais da Estrada de Ferro Central do Brasil.


“A formação peculiar da cidade, que evoluiu de arraial minerador para importante pólo comercial da região do Campo das Vertentes, é responsável por sua característica mais interessante: uma mescla de estilos arquitetônicos que tem origem na arte barroca, passa pelo ecletismo e alcança o moderno. Em São João del-Rei, é possível apreciar a evolução urbana de uma vila colonial mineira, cujo núcleo histórico permanece bastante preservado em harmonia com as construções ecléticas do século XIX e as mudanças ocorridas no século XX.” (site da prefeitura municipal de São João del Rei” http://www.saojoaodelrei.mg.gov.br/?Pagina=historia)
Túmulo de Tancredo Neves
Foto: Daniel Cinicalcci

Ela também é terra natal de pessoas famosas como o mártir da Inconfidência Mineira, Tiradentes, o presidente eleito do Brasil em 1985, Tancredo Neves, o Cardeal Dom Lucas Moreira Neves, o jornalista e escritor Otto Lara Resende, o Padre José Maria Xavier (compositor sacro), Francisca Paula de Jesus (a "santa" Nhá Chica, que está em vias de ser canonizada pelo Vaticano), dentre outros.








Segue abaixo as imagens e alguns exemplares arquitetônicos do local.

Escola Municipal com fachada Eclética
Foto: Lídia Quièto
Residência na rua principal também de partido Eclético.
Acervo pessoal.
Edifício Eclético Classicizante
Acervo pessoal
Ponte antiga do período Colonial
Acervo Pessoal
Prédio Art-Deco
Acervo pessoal
Igreja São Francisco de Assis com seu exterior  Rococó...
Foto: Lídia Quièto

...e seu interior Rococó
Foto: Lídia Quièto
Residência Contemporânea
Acervo Pessoal

Residências Coloniais
Acervo Pessoal. 

Rua mostrando a variação arquitetônica do local
Acervo Pessoal
Fonte:

Fotos:
Lídia Quiènto Viana
Daniel Cinicalcci
Acervo Pessoal








sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"É como voltar no Tempo!"

Bonde de Santa Teresa.
Atualmente está desativado para reforma 

Vamos falar agora de um bairro que "parou no tempo" dentro da nossa cidade do Rio de Janeiro. O bairro de Santa Teresa.

Não há quem não comente que "andar por Santa Teresa é como voltar no tempo". Isso porque algumas de suas construções vão do período colonial ao contemporâneo, além de suas ruas serem bem acentuadas, a maioria ladeiras, e algumas possuirem trechos em calçamento de pé de moleque, lembrando cidades coloniais como, por exemplo, Ouro Preto. Nas suas principais ruas, temos os trilhos por onde passam os bondinhos, que no momento se encontram desativados para reforma, dividindo o espaço com ônibus, carros e pedestres que circulam a  região.

A ocupação do bairro começou no século XVIII com a construção do Convento de Santa Tereza de Jesus, que deu origem ao nome do Bairro. Mais tarde, a classe mais alta começou a dirigir-se para lá, montando seus casarões e mansões com uma arquitetura francesa (que se encontra em pé até hoje). Em 1850, sua ocupação tornou-se mais intensa devido ao surto de febre amarela, que fez com que as pessoas migrassem para locais mais altos, fugindo da contaminação. 

Em 1872, foram instalados os bondes, que hoje são símbolos do bairro, porém somente em 1896 que o Aqueduto da Carioca (Arcos da Lapa) deixou de transportar água do Rio Carioca para o centro da cidade, virando um viaduto para a passagem dos bondes.
Antigamente, Santa Teresa possuía o status de bairro nobre. Hoje esse status já não lhe pertence mais, porém o bairro continua a ser procurado por interesse cultural e turístico. Suas principais atrações são: o Bonde de Santa Teresa, o Museu da Chácara do Céu, o Parque das Ruínas, o Castelo Valentim, o Convento de Santa Teresa, Ateliês, Restaurantes e Bares, a Igreja de Nossa Senhora das Neves e o Museu do Bonde, entre outros.
Largo do Curvelo
Os bondes realizam as paradas nos largos. Na imagem,
 há uma antiga estação terminal do trasporte por tração animal 

e uma casa projetada pelo alemão Riedlinger com forte 
influencia da Bohêmia de seu pais.
Parque das Ruinas
Antiga casa da Laurinha Santos Lobos, que 
foi restaurada e hoje é área de exposição
e lazer, servindo de mirante para uma 

bela paisagem do centro do Rio.















Agora vejamos alguns exemplares arquitetônicos que se encontram por lá.

Colonial: Convento de Santa Teresa.
                           O prédio funciona como convento das Carmelitas Descalças e igreja.                                            
Neoclassico: Residência da rua Monte Alegre
Antiga sede da Chácara dos Viegas. Um belo exemplo de composição neoclássica com adoção de revestimento em azulejaria na fachada, o que a torna uma raridade de sincretismo arquitetônico.
Chalé: Residênci
                Típica casa popularizada no sec. XIX, sendo essa geminada e com entrada lateral.                                                       

Neogotico: Igreja

Felício dos Santos Lobo loteou sua propriedade localizada no bairro de Santa Teresa e, como religioso, doou parte desta para a construção de uma igreja. A primeira pedra da Igreja Matriz de Santa Teresa foi lançada em 29 de Julho de 1916, mas, somente em 14 de Outubro de 1917, a igreja foi inaugurada.
Eclético: Residência

Construção eclética, fazendo alusão a vários estilos para compor o próprio. Esse é o estilo  predominante da região, podendo ter repertório mais rebuscado, simples, ou alterado pelos dias de hoje (muito comum).
Neomedievo/Eclético: Casa Valentin

Foi projetado pelo Mestre Valentin, filho do Comendador Antônio Valentin, no final do século XIX, com três pavimentos. O prédio sofreu uma reforma em 1940 realizada pelo proprietário, o Arquiteto Fernando Valentim, ganhando mais dois andares com oito apartamentos. Imóvel tombado pelo município em 27 de Agosto de 1990.
Neocolonial/ Californiano: Residência

Exemplo típico de casa neocolonial hispano-americano californiana, com uma torre cilíndrica amostra. Mas ela não é a única no bairro em termos de casa neocolonial. Em Santa Teresa, também encontramos repertório mexicano, missões e luso-brasileiro.
Art-Decó: Residencia
Residência comum encontrada no bairro, tendo em sua fachada formas geometrizada que caracterizam o estilo.  

Moderno: Residencial
Construção da vanguarda modernista, 1939, do jovem arquiteto Paulo Antunes Ribeiro. Uma composição marcada pelos volumes geométricos numa clara referência ao período cubista.




Pelo bairro encontramos mais casa de diversos estilos, inclusive contemporâneo. As mostradas aqui foram apenas alguns exemplos do que se pode encontrar andando pelo bairro.

Fonte:
http://www.marcillio.com/rio/encesate.html

Fotografia:
 - Acervo Pessoal (Patricia Otranto)
 - Google Street View
 - Google Imagens

Obs: Informações sobre algumas casas foram extraídas no site www. Inventarioturistico.com.br 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Rio  Art Déco

Não é à toa que o Rio de Janeiro será sede do 11º Congresso Mundial de Art Déco. A nossa cidade maravilhosa possui diversos exemplares representativos desse repertório. No entanto, várias pessoas desconhecem o que é Art Déco e onde ela está presente.
O maior monumento Art-Déco
do mundo e uma das Sete Maravilhas
do mundo Moderno. O Cristo Redentor. 

Em resumo, a denominação surgiu após a Exposição Internacional de Arte Decorativa e Industrial Moderna de Paris em 1925, e se espalhou pelo mundo mas já existia em diversos países, porém com outros nomes. A linguagem Art Déco nunca foi um movimento estruturado, mas sim um conjunto de manifestações artísticas da época. Pode-se dizer também que foi uma atitude associada a uma visão otimista de mundo ambíguo, que se modernizava com máquinas e se destruía com guerras. Nesse meio, a linguagem do Art Déco foi muito aproveitada em questões políticas como forma mais acessível de se comunicar com o povo.  Hitler por exemplo, utilizou a arquitetura Art Déco como símbolo de poder.  Até Getúlio Vargas, para implantar a idéia de um Brasil moderno e inovador, usou o Art Déco. presente em diversos edifícios representativos, construídos no Estado Novo, como o antigo Ministério da Guerra ou a antiga sede da Central do Brasil, vizinhos, localizados no coração da Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro.

Mas, independente disso, o Art Déco se identifica pelas suas formas geometrizadas de temas abstratos e figurativos, onduladas ou simétricas. No Brasil, foi muito confundida com a Arquitetura Moderna, que surgiu em paralelo ao Art Déco. A partir dos anos de 1920 até 1950, bairros como Copacabana, Flamengo, Urca e Centro ganharam edifícios com esse estilo. Entre eles, o monumento mais importantes da nossa cidade é o Cristo Redentor, que com seus grandes volumes e planos é considerado uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo Moderno.

Com sua fácil execução e a utilização de materiais nobres, com boa possibilidade de manutenção, esse movimento se popularizou pela sua produção em grande escala podendo ser considerado a primeira manifestação de uma arte de massa. Abaixo temos alguns exemplos representativos da Arquitetura Art Déco dentro da nossa cidade. 


Palácio Duque de Caxias: Possui várias formas geometrizadas com uma base escura, proporcionando uma
sensação de peso e efeito de luzes no topo e dando a ele uma cara "militar".  Segue um estilo
mais Europeu do Art Déco.

Central Do Brasil: Construído por Roberto Magno de Carvalho
e Robert Petrince, o edifício possui mais um estilo Americano,
com o uso de torre. Também possui várias formas
geometrizadas e o uso de um relógio de quatro
faces no topo. 

Entrada do Edifício Itahy: Esse é um exemplo explícito
da influência indígena no Art Déco brasileiro. No
pórtico há uma séria índia dando as boas vindas.
Projetado por Arnaldo Gladosh.
Cinema Roxy:  Podemos dizer que o cinema é a cara do Art Déco. Esse cinema apresenta
esse mesmo trabalho com as formas geometrizadas e com cores.
Escada do Cinema Roxy: mostra claramente que não só essas formas se encontram
nas fachadas, mas também em seu interior.
Teatro Carlos Gomes: Esse também segue
um estilo americano de Art-Déco. Sua fachada
lembra até um arranha-céus nova iorquino.
Edifício Biarritz: Projetado por  Henri Paul Pierre Sajous
e Auguste Rendu, possui varandas curvas e grandes
ornamentos, além de ter um requintado portão de ferro.
Segue um estilo de serralheria das varandas.


Igreja  Santíssima Trindade: Essa igreja também foi
 projetada por Henri Paul Pierre Sajous
e foi pensada nos mínimos detalhes, com 21 vitrais
 de 1,20 x 8,00m.