domingo, 24 de julho de 2011

Continuando...

Devido a pedidos,  vai mais um post falando sobre Ouro Preto!
No primeiro post , falei sobre o traçado da cidade e como ela se formou, agora nesse irei falar mais sobre suas construções.

Encontramos em Ouro preto três tipos de Arquitetura: Oficial, Civil e Religiosa.

residências em Ouro Preto

Civil: São as casas coloniais,  térreas ou sobrados, que encontramos nas ruas e ladeiras da cidade. Essas moradias urbanas se apresentam com certa padronização, em termos de planta, fachada e lote. Sempre estreitas e profundas, coladas nas divisas entre outros lotes. A fachada frontal mostra um compromisso com o comércio da época com o uso de muitas portas (em algumas casas, as salas da frente eram lojas), além de alguns detalhes construtivos aparentes sobre o fundo branco das paredes, como beiras, cimalhas, cachorros, sobrevergas em pedra e madeira, esquadrias também em madeira, mas pintadas em cores vivas e balcões de ferro fundido. Alguns sobrados de 3 andares apresentam senzalas como a Casa dos Contos, e logicamente, em algumas ruas se apresentam outras casas sem serem coloniais, como chalés e casas ecléticas, sendo essas já influência do sec. XIX.



Igreja de São Francisco de Assis

Religiosa: Ouro preto apresenta um rico repertório de capelas, passos e igrejas. Essa arquitetura religiosa mineira constitui um capítulo a parte da compreensão do barroco no Brasil. Em resumo, o que chamamos de barroco brasileiro é muito mais um rococó, mais festivo, alegre e colorido, diferenciando-se muito do barroco original vindo da Europa devido à falta de informações e à pouca influência, criando modelos mais particulares.  
Um Passo da Paixão
As capelas foram os primeiros exemplares a serem construídos, mesmo quando a vila ainda não estava formada. São construções mais simples, com frontão triangular e sem torre sineira. Já as igrejas são edifícios mais elaborados, feitos por mão de obra mais qualificada e encomendadas pelas irmandades e ordem terceira. Quanto às matrizes, são originárias das capelas. Com o enriquecimento dos arraias, elas se tornaram grandes edificações com requintados interiores. Os Passos da Paixão são pequenas edificações com apenas uma porta na fachada usados durante a semana santa



Antigo Teatro de Opera

Chafariz
Oficial: Se apresentam por diversos exemplares. Um deles, já citado no post anterior, é a Antiga Casa de Câmara e Cadeia, levando traços de um neoclassicismo iniciante inspirado no capitólio de Michelângelo. Outros são o Palácio do Governador, que já apresenta traços como das casas coloniais, e  o antigo teatro de ópera, com sua fachada simples no exterior, mas mostrando exuberância em seu interior, nos fazendo imaginar como era assistir aos espetáculos naquela época da escavação do ouro. Por último, temos os chafarizes, que eram monumentos de maior importância da cidade já que não havia água encanada para as residências. Eram verdadeiras obras de arte.

sábado, 25 de junho de 2011

Uma Cidade Colonial

Apaixonada por arquitetura brasileira e decidi escrever um blog para apresentar algumas de seus exemplares  e incentivar as pessoas a valorizarem-na e terem um olhar mais crítico que muitas vezes nos passa despercebidos. Recentemente viajei para Ouro Preto (MG) e me deparei com essa belíssima cidade que possui uma arquitetura encantadora que pretendo compartilhar com vocês.
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Uma das cidades coloniais que mais esconde seus mistérios, formando um cenário fantástico de lendas, assombrações e conspirações talvez seja Ouro Preto.

Rodeada por uma cadeia de montanhas - na região centro-sul do estado de Minas Gerais - Foi um dos núcleos mais importantes na época do Brasil Colônia. Afinal, foi de lá que boa parte do nosso ouro foi extraído, primeiro por lavagem nas beiras dos rios, e depois pelas escavações em minas. 
Foto da praça Tiradentes, destacando-se a antiga a Casa de Câmara e Cadeia
e o Museu da Inconfidência - Foto de Patricia.

E depois de descoberto o ouro, a migração começou?
Bem no início, diversos arraiais nasceram e desapareceram, sendo que alguns nem vestígios deixaram, e eles iam subindo o rio conforme se esgotava o ouro por lavagem. Esses foram conhecidos como os “arraiais móveis” que, devido a uma sucessão deles, é que viria a ser fundada a Vila Rica de Albuquerque (atual Ouro Preto), Quando ocorre o esgotamento da extração do ouro pelos rios e indo para as minas, onde, já se havia uma necessidade de se estabilizarem.
 Assim temos um exemplo típico de como eram formadas algumas as cidades no período Colonial, iniciando por arraiais, depois vilas, para, então, evoluir em uma cidade. O desenvolvimento de Ouro Preto foi espontâneo, marcado por traçados irregulares (que foram agravados pela topografia do local) típico de um traçado urbano medievo. Porém com o crescimento dos vales para o alto dos morros.
Foi em 1711, que Portugal decidiu fundar a Vila para ter o controle do ouro. Somente foi planejada a Praça Tiradentes, que foi destinada para ser o centro da vila, localizada em cima de um dos morros, possuindo uma Casa de Câmara e Cadeia e o Palácio do Governador. Criou ainda algumas ruas, saindo da praça e fazendo ligações entre os arraiais que se tinham próximos do rio. Também ocorre uma ligação entre esses arraiais, mas isso tudo aconteceu sem nenhum planejamento formal.

A decadência de Ouro Preto se deu por um conjunto de fatores, sendo o principal a extração abusiva do ouro sem nenhum cuidado para melhor explorar esses recursos.  Contudo, a cidade chegou a ser capital do estado de Minas Gerais ate 1897, depois passou a monumento Nacional, em 1933, e mais tarde, ganhou o titulo de Patrimônio Cultura da Humanidade pela UNESCO.

Além de tudo Ouro Preto possui diversidade e qualidade de patrimônio arquitetônico e imaterial responsáveis diretos pelo encantamento dessa cidade.
Vista do adro da Igreja da Terceira Ordem do Carmo para a cidade -
Foto de Patricia